• Marina Goulart

Neuro arquitetura: como os espaços afetam o nosso bem-estar

Você já ouviu falar no termo neuroarquitetura? Essa expressão nasceu da junção da neurociência com a arquitetura e tem como objetivo favorecer a saúde e o bem-estar dos usuários através dos espaços projetados.

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Com a evolução da neurociência, estamos compreendendo crescentemente as funcionalidades do cérebro humano. Com os avanços dessa área, principalmente no que se refere ao estudo dos pensamentos e do subconsciente, será possível traduzir de forma mais concreta as percepções do cérebro perante o ambiente. Desta forma, ajudando os arquitetos a projetarem espaços que impactem seus usuários de forma mais significativa.


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Portanto, os ambientes serão projetados levando em consideração sua forma e função, mas com foco nos impactos gerados em níveis mais intrínsecos do ser humano, que escapam da percepção do consciente. Aqueles que possam gerar melhoria na saúde e bem estar, tanto física como mental. Em outras palavras, quer dizer que o espaço projetado tem impacto direto no nosso comportamento.


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A constituição do ambiente faz com o que cérebro estabeleça mecanismo que produzem os hormônios necessários para gerar determinadas emoções e sensações. Com isso, a neurociência proporciona evidências poderosas para que os arquitetos possam criar espaços que despertem esses resultados.

Sendo assim, alguns elementos como a ventilação, a temperatura, as cores utilizadas, a acústica e principalmente a iluminação natural, são essenciais na composição do ambiente, como também proporcionam conforto e saúde ao usuário.


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Esse termo ainda é novo no Brasil. No entanto, essa nova tendência da arquitetura tem ganhado força ao redor do mundo, especialmente no âmbito das escolas, hospitais e empresas, com o objetivo de aumentar a produtividade dos funcionários, melhorar o foco, a concentração e ajudar no processo de cura dos pacientes.


No âmbito dos ambientes corporativos, o foco é criar ambientes humanizados, que possam influenciar de forma positiva a motivação e o comportamento do empregado, como também proporcionar a socialização entre os funcionários da empresa.


Nesses projetos comerciais, principalmente os escritórios corporativos, as cores neutras ainda predominam a maioria dos espaços. Mas o que a grande maioria não sabe, é que algumas cores podem ser estimulantes, melhorando a criatividade, a concentração e o foco. E quando falamos em iluminação, sempre devemos priorizar a iluminação natural. 


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Igualmente, a neuroarquitetura tem seu olhar voltado para projetos residenciais, com o objetivo de reduzir a ansiedade e o stress dos usuários. 

No projeto residencial o arquiteto deve colher o máximo de informações sobre seu cliente, para que o mesmo possa criar um perfil das necessidades diárias e a partir de então criar soluções espaciais capazes de melhorar sua qualidade de vida. 


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“62% das memórias felizes estão relacionadas a experiências multissensoriais”. (Livro: A Arte de Criar Mémorias Felizes)

Segundo as arquitetas Paloma Cardoso e Jéssica Carbone : “é através dos nossos sentidos, podemos explorar a nossa casa, observando o que ela nos fornece de melhor, enriquecendo o nosso ambiente, explorando novas sanções. Esse olhar para nossa casa é extremamente benéfico ao nosso cérebro...”


Desta forma, criar estímulos para os cinco sentidos é outro meio de trazer mudanças significativas na vida do cliente. Através de texturas, aromas ou músicas no ambiente, por exemplo. O objetivo é que as soluções sejam personalizadas, pois cada projeto é único e visa atender as necessidades especificas de cada pessoa. 


Contudo, separei algumas dicas para quem quiser aplicar a neuroarquitetura em casa e melhorar o bem estar: 

  • Elementos da Natureza

Utilizar elementos naturais, é uma forma prática de estimular o relaxamento. Como por exemplo plantas, quadros de paisagem e revestimentos em madeira. Aqui no blog tem um post sobre design biofílico que fala mais sobre utilizar os elementos da natureza em casa. 

  • Ar livre

Projetos com boa ventilação também tendem a estimular o relaxamento. Sendo assim, sempre que estiver em casa, não esqueça de deixar o ambiente arejado, abra as janelas e deixe o ar circular, isso também faz com que a energia do ambiente circule.

  • Iluminação Natural

Sempre opte pela iluminação natural, um bom projeto prioriza a iluminação solar.  Se não for possível, quando for escolher a luz artificial, em ambientes para descansar, prefira a luz amarela, ela estimula a melatonina. Já a luz branca, deixe para ambiente que exigem foco e concentração.

  • Organização dos ambientes

A organização é uma das bases da neuroarquitetura. Se livrar da bagunça é uma das formas de reduzir a ansiedade. Afinal, quem consegue relaxar em um ambiente bagunçado e caótico?


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Por fim, pode-se perceber que não existe uma fórmula exata para aplicar a Neuroarquitetura. É necessário focar em determinadas questões e assim ser capaz de transformar a experiência do indivíduo no espaço projetado. 


Fontes:

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