As mulheres e a Arquitetura

Atualizado: Fev 9

Em um recente post, a temática versava sobre as 10 arquitetas que merecem ter um Pritzker, que é o reconhecimento mais importante que um arquiteto (a) pode receber em vida. Uma brilhante aluna fez então um questionamento a respeito do texto: porque só escutei agora sobre muitas dessas arquitetas?


The Pritzker Architecture Prize

O prêmio surgiu de uma iniciativa criada por Jay Pritzker por meio da Fundação Hyatt, uma organização associada a empresa hoteleira fundada pelo próprio em conjunto com seu irmão Donald em 1957. A primeira edição foi realizada em 1979, e o primeiro arquiteto a ser homenageado foi Philip Johnson.


Este ano o vencedor foi Arata Isozaki, arquiteto japonês, famoso por seu extenso portfólio de obras ao redor do mundo e também por suas contínuas colaborações para a teoria da arquitetura e do urbanismo.


Porque será que ao longo desse tempo, somente três mulheres conquistaram o prêmio? Sendo que duas delas, Kazuyo Sejima (2010) e Carme Pigem (2017) ganharam em conjunto com seus respectivos sócios nos escritórios e somente Zaha Hadid (2004), obteve individualmente?


Cerimonia de premiação de 2017: Ryue Nishizawa (esquerda), Tadao Ando, Kazuyo Sejima, Rafael Aranda, Glenn Murcutt, Carme Pigem, Ramon Vilalta, Toyo Ito, Shigeru Ban. Imagem © The Hyatt Foundation / Pritzker Architecture Prize

Segundo o CAU, apesar de termos registrado um número maior de arquitetas que de arquitetos, a proporção entre professores arquitetos e professoras arquitetas ainda é de 3 para 1 em nossas escolas. No Brasil os escritórios de maior destaque e notoriedade no setor possuem a sua equipe encabeçada por arquitetos do sexo masculino.


É desafiadora a atuação e afirmação feminina num setor profissional tão enraizado de preconceitos, mas devemos e queremos ser definidas pelo nosso profissionalismo e competência, não pela questão ou discussão de gênero.


O coletivo Arquitetas Invisíveis, fundado em 2014, surgiu da necessidade de mostrar a produção feminina no âmbito da Arquitetura e do Urbanismo, pois a percepção sobre a falta de uma produção de arquitetas, era na verdade a falta de dar visibilidade para uma produção já existente e cada vez maior.


São tantas arquitetas pesquisadoras, projetistas, construtoras, escritoras, críticas, professoras, que estão presentes, que são formadoras de opinião e de novas carreiras, que foram pioneiras como Julia Morgan, invisíveis como Eileen Gray e Denise Scott Brown, e contemporâneas como Farshid Moussavi, Carla Juaçaba e Odile Descq, entre outras. Porque não estudamos sobre elas nas Escolas de Arquitetura?


Da esq. para a dir., de cima para baixo: Julia Morgan, Eileen Gray, Denise Scott Brown, Farshid Moussavi, Carla Juaçaba e Odile Descq.

Projete, construa, escreva e critique como uma garota. Porque afinal, Who run the world?


Lina Bo Bardi na construção do MASP

REFERÊNCIAS

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