A Ressignificação da Casa

Nesses últimos tempos, a situação a que fomos impostos nos obrigou a estar mais em casa. Expressões como home office e homeschooling passaram a ser nossa nova normalidade. E com isso, redescobrimos os espaços de nossa moradia.


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Por causa da rotina extenuante, é costume passar quase 12 horas ou mais entre trabalho, trânsito, obras, projetos, escola, universidade... e a casa havia se transformado apenas em um local para dormir. Sair pela manhã, e retornar à noite. O período de quarentena e isolamento social foi um golpe não só psicológico e físico. Ele foi espacial. E porque a Arquitetura importa nesse momento?


Todos, sem exceção, começamos a ver nossa residência com outros olhos. Confinados em nós mesmos, percebemos a pouca insolação nos ambientes, os fluxos cruzados, as pequenas reformas que nunca foram feitas, as organizações eternamente postergadas, os ruídos nunca antes ouvidos. Pessoalmente, sempre tive o conceito de lar, atrelado ao lugar onde recebo e compartilho com aqueles que me são caros. Mas o que pode mudar a partir de agora?

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Historicamente, estes momentos de crise relacionados à saúde sempre influenciaram a arquitetura. No século XIX, após a epidemia de cólera e varíola, surgiram as primeiras leis sanitaristas na Inglaterra, e que influenciaram as grandes reformas de Paris e Barcelona, pelas mãos do Barão Haussmann e Idelfons Cerdá, respectivamente.


Enquanto estudantes e arquitetos, somos movidos, quase que, como um dom divino, a pensar e resolver a casa e a cidade para os outros. A realidade que se estabelece com a pandemia irá nos obrigar a rever conceitos e pensar em soluções de projeto residenciais mais voltadas para a praticidade, o aconchego e o refúgio.


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Hoje em dia, a nossa rotina foi substituída por algo que ainda não reconhecemos. Talvez seja porque representa um mundo que está avançando e os ciclos que se seguem. Ou talvez seja exatamente o contrário; uma dimensão simbólica que abrirá uma janela em nossa realidade para um jardim mais verde, para um céu mais claro e poderá facilitar a conexão, através dessa jornada, com o que há de melhor em nós mesmos.


Sim, o futuro é imprevisível, ainda misterioso e opaco. Nessa opacidade, porém, nós arquitetos, temos a responsabilidade de pensar melhor os espaços das moradias, e jogar uma luz nesse futuro, para que as pessoas possam viver melhor.

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