A Pandemia e a Universidade

Atualizado: Out 7


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Vivemos um momento ímpar em nossa sociedade contemporânea. A pandemia provocada pelo Covid-19, fez com que as Universidades se adequassem às demandas do ensino remoto. Na atualidade, trabalhar através de ferramentas, softwares e aplicativos se faz presente em muitos cursos em diversos países e é parte de importantes de renomadas universidades no processo de ensino. A modalidade adotada neste cenário se fortaleceu em virtude de proporcionar a expansão da comunicação em diferentes níveis: da formação continuada remota, ao acompanhamento e desenvolvimento de atividades pelo professor em tempo real.


A palavra Universidade vem do Latim Universitas, que significa "Universalidade, ou, o conjunto das coisas." O que se refere na realidade a uma instituição de ensino e pesquisa constituída por um conjunto de faculdades e escolas destinadas a promover a formação profissional e científica de pessoal em nível superior. Um local onde se realizam pesquisas teóricas e prática nas principais áreas do saber humanístico, tecnológico e artístico, compreendendo a devolução e divulgação de seus resultados perante à comunidade científica e a sociedade em geral. Partindo dessa perspectiva, universidade seria então a universalização do conhecimento, onde as trocas de saber entre os pares são a força motriz das descobertas, desafios e investigações.


O ensino e aprendizado nestes tempos de pandemia, abarca relações antes não experimentadas nos cursos de Arquitetura e Urbanismo, as discussões e argumentações agora à distância, por meio de telas compartilhadas, substituem as anteriores em sala, onde as considerações referentes a determinados projetos tinham como questionamentos e reflexão, o próprio modo de vida da sociedade contemporânea. A formação dos arquitetos, evidencia sua importância na construção social destacando a situação econômica e política na qual o mundo se encontra. Esta nova década se inicia com transformações substanciais e uma grande indagação: em como uma nova forma de convivência pode proporcionar uma mudança de paradigma para a profissão.


A nova ótica metodológica, revelou ter uma boa aceitação por parte do corpo discente em algumas instituições, pois as ferramentas podem ser usadas em uma formação complementar, ajudando a responder aos desafios do cotidiano e da contemporaneidade. O sentimento geral, entretando, paira na ausência do contato e principalmente do convívio diário. Reside basicamente no distanciamento dos processos de câmbio presencial. São novos tempos, que exigem novas posturas. Posturas essas mais ativas e participativas por parte de todos.


Por outro lado, os professores encontram-se em novas experiências de atuação. A busca por acesso a novos conhecimentos necessários para uma prática pedagógica inovadora, transformou-os em youtubers do conhecimento. Não é suficiente somente saber ensinar, ter e ser didático. É necessário comunicar-se bem diante das câmeras, editar vídeos, criar atividades online, perguntas e respostas rápidas, interagir em confference calls, assistir e recomendar vídeos. O momento pede imediatismo. A figura do docente adquire novos contonos. Mas nesse panorama onde pode ser inserida a experiência profissional? Os anos em sala de aula? As pesquisas, os laboatórios e os experimentos?


As situações agora são distintas, pois exigem mudanças de rota por parte de todos, mas deve-se lembrar de não perder os princípios que norteiam a formação universitária. Resta saber se durante essa etapa, os papéis a cumprir em ambos os lados não irão se distanciar do objetivo primordial dos centros de ensino: espaços de discussão e formação de novos indivíduos em prol do avanço da sociedade. A educação, ainda que à distância, tem que ampliar as possibilidades para que as atividades de ensino e pesquisa sejam desenvolvidas, permitindo eventuais ganhos à comunidade acadêmica.

Referências

  • NÓVOA, Antônio (Coord.). Os professores e a sua formação. 2 ed. Lisboa: Dom Quixote, 1995;

  • ______. Professores imagens do futuro presente. Lisboa: EDUCA Instituto de Educação Universidade de Lisboa, 2009;

  • PATRON, Rita. O ser professor: vocação ou profissão?. Localis Arquitetura e Design. Disponível em: https://www.localisblog.com/

  • PIMENTA, Selma Garrido. ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos. Docência no ensino superior. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2008;

  • TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.VÁSQUES, Adolfo S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização, 1982.

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